Aurum Energia

transformando projetos
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Identificação de oportunidades de novos investimentos no setor energético nacional e internacional, orientando o posicionamento estratégico do cliente.

Desenvolvimento de novos negócios em energia, com foco na diversificação de ativos e na obtenção dos melhores resultados.

Excelência em estudos e negócios nos setores de petróleo, gás natural, biocombustíveis e energia elétrica.

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José Mauro CoelhoPRESIDENTE E FUNDADOR DA AURUM ENERGIA

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Autores: José Mauro Coelho e Guilherme Mercês, Sócios da Consultoria AURUM TANK

A experiência histórica do Irã revela por que a política doméstica segue sendo um fator crítico para sua produção petrolífera, enquanto manifestações internas reacendem incertezas sobre um dos pilares da oferta global de energia

Contexto Geral 

Nas primeiras semanas de 2026, o Irã voltou ao centro do debate geopolítico internacional. Manifestações em larga escala, inicialmente motivadas por questões econômicas, rapidamente ganharam contornos políticos mais amplos, reacendendo tensões internas em um país cuja estabilidade sempre esteve intimamente ligada ao desempenho do setor de petróleo e gás natural. Dada a relevância do Irã para a oferta global de energia, qualquer sinal de instabilidade política desperta atenção imediata dos mercados e dos formuladores de política energética ao redor do mundo.

Não se trata, contudo, de um episódio isolado. Ao longo de mais de um século, a indústria petrolífera iraniana foi moldada por ciclos recorrentes de nacionalismo, intervenções externas, sanções e rearranjos institucionais, que frequentemente se refletiram em fortes oscilações de produção e exportação. Assim, para compreender os possíveis desdobramentos dos protestos atuais sobre o setor de petróleo e gás, é indispensável revisitar a trajetória histórica da construção da indústria petrolífera no Irã.

Um breve histórico do petróleo no Irã

Os afloramentos de hidrocarbonetos, como o betume, já eram conhecidos e valorizados na Pérsia há pelo menos seis mil anos. Contudo, a indústria moderna de óleo e gás no Irã teve seu início formal em 1901, quando o britânico William D’Arcy firmou com o xá Muzaffar alDin uma concessão exclusiva de 60 anos para exploração e refino de petróleo. A descoberta do campo de Masjid-i-Suleiman, em 1908 – o primeiro do Oriente Médio – levou à criação da Anglo-Persian Oil Company, que posteriormente se tornaria a British Petroleum (BP). Apesar do rápido crescimento nos anos 1910, dificuldades financeiras levaram o governo britânico a assumir o controle da empresa em 1914. 

Entre 1920 e 1930, a produção iraniana aumentou de cerca de 35 mil para 120 mil barris por dia (bpd). Em 1933, o xá Reza Pahlavi renegociou os termos da concessão, estabelecendo royalties fixos, participação de 20% nos lucros globais da companhia, redução de 75% da área concedida e prorrogação do contrato por mais 60 anos. Durante e após a Segunda Guerra Mundial, novas descobertas impulsionaram a produção, que saltou de 170 mil bpd em 1940 para 640 mil bpd em 1950.

O fortalecimento do nacionalismo iraniano culminou, em 1951, na estatização da indústria petrolífera sob o governo do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh e na criação da National Iranian Oil Company (NIOC). Como reação, o país enfrentou um embargo liderado pelo Reino Unido e apoiado por outras potências ocidentais, levando a produção a recuar para aproximadamente 20 mil bpd em 1952. Em 1953, Mossadegh foi deposto em uma ação articulada por serviços de inteligência britânicos e norte-americanos, e o general Fazlollah Zahedi assumiu o governo. Um novo arranjo instituiu um consórcio internacional que dividia igualmente os lucros com a NIOC, mantendo, contudo, a propriedade dos recursos e das instalações sob controle do Estado iraniano. Nas décadas seguintes, a produção cresceu de forma acelerada, passando de 1,9 milhão de bpd em 1965 para 6,1 milhões de bpd em 1974. Nesse período, o Irã tornou-se membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em 1960, e desempenhou papel relevante no primeiro choque do petróleo, em 1973.

A Revolução Iraniana de 1979 representou uma ruptura profunda no setor. Com a queda do xá Reza Pahlavi e a ascensão do regime liderado pelo aiatolá Khomeini, a NIOC assumiu integralmente os ativos, e acordos internacionais foram cancelados. Na passagem do regime dos xás para o regime dos aiatolás, a produção recuou para cerca de 1,5 milhão de bpd em 1980. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, o país enfrentou sanções, especialmente por parte dos Estados Unidos, associadas à Revolução, à Guerra Irã-Iraque e a tensões geopolíticas mais amplas. Ainda assim, a produção se recuperou gradualmente, passando de 2,2 milhões de bpd em 1985 para aproximadamente 3,8 milhões de bpd entre 1993 e 2000. O aumento dos preços internacionais nos anos 1990 permitiu maior geração de receitas e investimentos, inclusive na expansão da produção de gás natural não associado, frequentemente por meio de contratos de buyback com empresas estrangeiras, retomados após quase duas décadas sem acordos internacionais.

Nas décadas de 2000 e 2010, as sanções foram intensificadas, sobretudo em razão do programa nuclear iraniano, afetando severamente o setor de petróleo e gás natural. Os impactos mais relevantes ocorreram a partir de 2011, quando Estados Unidos e União Europeia ampliaram restrições econômicas e tecnológicas. Entre 2011 e 2015, a produção de petróleo caiu de cerca de 4,0 para 3,3 milhões de bpd; as exportações recuaram de 2,5 para 1,1 milhão de bpd; as receitas do setor diminuíram 76%; e o PIB do país registrou retração superior a 30%, movimento intensificado pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional a partir de 2014. As restrições limitaram o acesso a capital e tecnologia, levando o país a depender majoritariamente de empresas nacionais para o desenvolvimento de projetos de exploração e produção.

Com a assinatura do acordo nuclear (Joint Comprehensive Plan of Action ou JCPOA) e a suspensão das sanções em 2015, o Irã recuperou seus níveis pré-sanções de produção e exportação e, em 2016, introduziu o Iranian Petroleum Contract (IPC), com o objetivo de atrair investimentos e tecnologia no longo prazo. No entanto, em 2018, a saída dos Estados Unidos do JCPOA e o restabelecimento das sanções provocaram nova queda da produção e das exportações, a suspensão de contratos com empresas estrangeiras e o agravamento das condições macroeconômicas.

Após a pandemia de COVID-19, a produção de petróleo iraniana voltou a crescer, alcançando cerca de 4,4 milhões de bpd em 2025, impulsionada pela recuperação da demanda global e pelo aumento das importações chinesas de petróleo iraniano a preços descontados. Ainda assim, para sustentar sua capacidade produtiva em campos com elevadas taxas de declínio, o país necessita de novos investimentos para perfuração de poços e revitalização de campos maduros. A escassez de investimentos estrangeiros nos últimos anos levou Teerã a recorrer principalmente a empresas nacionais, que enfrentam limitações de capital e tecnologia, retardando o avanço de projetos contratados a partir de 2019. Em paralelo, em 2022, o país firmou um acordo preliminar com a Rússia para cooperação nos setores de petróleo e gás, cuja implementação segue enfrentando desafios técnicos e negociais.

Na Figura 1, é apresentado o histórico de produção do Irã desde a década de 1970.

Figura 1. Histórico de produção de petróleo no Irã

Hoje, o Irã figura como o quinto maior produtor mundial de petróleo,  detém a terceira maior reserva global de petróleo, estimada em 208,6 bilhões de barris, e conta com a segunda maior reserva de gás natural, com aproximadamente 34 trilhões de metros cúbicos. No consumo interno, é o décimo maior consumidor mundial de petróleo e o segundo do Oriente Médio, atrás apenas da Arábia Saudita. Sua capacidade total de carregamento de petróleo para exportação ultrapassa 8,0 milhões de bpd, e o país investiu recentemente em novas infraestruturas, como o terminal de Jask (que entrou em operação em 2024), localizado a leste do Estreito de Ormuz, com o objetivo de reduzir riscos logísticos associados ao Golfo Pérsico.

Na Figura 2, podem ser observados os principais campos produtores do País, concentrados em sua região litorânea Sudoeste.

Figura 2. Principais campos de óleo e gás do Irã

O atual ciclo de protestos e as incertezas para a indústria iraniana de óleo e gás 

No início de 2026, novos protestos em larga escala voltaram a ser registrados no Irã. Em dezembro de 2025, comerciantes dos bazares de Teerã entraram em greve em reação à volatilidade cambial e à elevada carga tributária. Nas últimas semanas, o teor das manifestações se ampliou, incorporando demandas de natureza política mais ampla. Analistas apontam que os protestos atingiram uma escala rara desde a criação da República Islâmica, sobretudo pela sua abrangência territorial e diversidade de grupos envolvidos. 

Com a disseminação das manifestações por diversas cidades, autoridades dos Estados Unidos adotaram um discurso mais assertivo com relação ao governo iraniano, sinalizando possíveis respostas “com extrema dureza” caso houvesse escalada repressiva por parte do governo de Teerã. Tais declarações ganharam maior visibilidade no contexto de tensões geopolíticas recentes envolvendo os EUA e a Venezuela. Em resposta, autoridades iranianas reiteraram sua disposição de reagir a eventuais ações externas, mencionando interesses e aliados norte-americanos na região.

A combinação desses fatores recoloca o Irã no radar do setor global do de petróleo e gás natural, dada a sensibilidade histórica da produção iraniana às dinâmicas políticas internas e externas. Embora China e Rússia sejam os principais parceiros comerciais e investidores no setor energético iraniano, seus contratos de longo prazo estão fortemente associados à aquisição de volumes de petróleo e derivados com desconto, e não necessariamente à dependência estrutural desses suprimentos. Assim, eventuais restrições adicionais poderiam ser parcialmente compensadas por aumento de produção interna ou diversificação de importações. Ainda assim, dada a posição do Irã no ranking global de produtores, variações efetivas na produção – ou mesmo mudanças nas expectativas dos agentes de mercado – podem se refletir nos preços do petróleo e do gás natural no mercado internacional.

Investimentos para manutenção e ampliação 

A manutenção da produção nos patamares atuais já é um desafio por si só. Estimativas do governo iraniano e da AURUM TANK demonstram que nos próximos 10 anos deverão ser investidos cerca de US$ 130 bilhões apenas para manter a produção nos atuais 4,4 a 4,6 milhões de barris por dia. Para retomar o patamar histórico de 6 milhões de barris por dia, deverão ser investidos adicionalmente cerca de US$ 45 bilhões. 

Caso ocorra uma nova revolução, retornando a produção ao nível mínimo observado entre 1980 e 1981, investimentos da ordem de US$ 180 bilhões serão necessários para a reconstrução do setor e o retorno do patamar histórico de 6 milhões de barris por dia. 

Tais investimentos irão requerer um grande esforço de um possível  novo governo em um cenário de revolução, onde o Irã estará lidando simultaneamente com a reestruturação das contas públicas, a reavaliação dos programas sociais existentes e a fuga de capital estrangeiro. Soma-se a isso a dificuldade de acesso ao financiamento devido às incertezas geopolíticas e às possíveis sanções que serão impostas – em adição às atuais sanções em vigor. Neste cenário, a retomada da confiança do mercado, possibilitando o retorno dos investimentos, será de vital importância para o setor.

Nesse contexto, o setor de óleo e gás iraniano segue exposto a um elevado grau de incerteza política e geopolítica, com potenciais repercussões que extrapolam as fronteiras nacionais. A evolução dos protestos, as respostas do regime e o posicionamento das principais potências internacionais tendem a manter o país no centro das atenções do mercado energético global nos próximos meses.

28/01/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu na sexta-feira (9) com um grupo de executivos de empresas do setor de energia para debater investimentos na Venezuela e foi direto ao assunto: “Se vocês não quiserem entrar, é só me dizer, porque tenho outras 25 pessoas prontas para ocupar o lugar de vocês.”

Donald Trump tem mesmo. A lista de convidados, obviamente, incluiu os gigantes do setor – muitos deles apoiadores financeiros na última campanha presidencial. E não haveria dificuldades para os assessores dele convidarem outro grupo de empresas de petróleo americanas.

Anos do chavismo

Mas voltar à Venezuela depois da chegada do chavismo ao poder não será simples. Empresas americanas estão listadas em bolsas, devem dar explicações a seus acionistas e precisarão redefinir os seus investimentos no ano fiscal que nos Estados Unidos começa em abril.

E embora sentado à frente de Donald Trump – que falou olhando para ele e seu equivalente da Chevron, o presidente-executivo da ExxonMobil, a maior empresa petrolífera dos EUA, Darren Woods, descartou o país sul-americano como inviável para investimentos se não forem feitas reformas profundas.

Chevron ficou

Ao seu lado, o CEO global da Chevron, Michael Wirth, não se pronunciou, embora todos na sala concordem com as advertências de Woodas. A diferença entre a ExxonMobil – que saiu da Venezuela em 2006 – e a Chevron é que a segunda ficou no país. E nos últimos meses foi quem forneceu as informações para o governo americano sobre o setor naquele país assim que a crise que levou ao sequestro e à prisão de Nicolás Maduro se intensificou.

Mas recuperar a indústria petrolífera venezuelana não será simples, nem barato e, como exigiu o presidente da ExxonMobil, a presidente Delcy Rodrigues terá que praticamente reescrever e aprovar uma nova legislação do setor.

Muito dinheiro

Vai custar muito dinheiro, afirma num relatório para seus clientes o ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que lidera a Aurum Tank, uma consultoria especializada em negócios do setor no Brasil e fora dele, cujos clientes receberam na última sexta-feira (9) quase à mesma hora da reunião de Donald Trump numa sala da Casa Branca um estudo denominado O Setor de Óleo E Gás na Venezuela, assinaod por ele.

Segundo a Aurum Tank, a infraestrutura de petróleo e gás no país é antiga e necessitaria de investimentos de cerca de R$ 308 bilhões para sustentar uma retomada consistente da produção, tanto em dutos quanto em poços e refinarias.

Faixa do Orinoco

E mesmo que o setor de óleo e gás, a Venezuela tenha enorme relevância em termos de reservas — especialmente de petróleo extrapesado na Faixa do Orinoco —, ele apresenta desempenho produtivo extremamente reduzido, resultado da perda de autonomia, forte carga fiscal, sanções externas e restrições de capital e tecnologia. Um quadro que levou a um colapso da produção de petróleo e à subutilização das reservas de gás natural.

Os números da Venezuela surpreendem para o bem e para o mal. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2023, o país tinha as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, estimadas em cerca de 303,8 bilhões de barris, o equivalente a aproximadamente 17,5% das reservas globais.

Reservas de gás

As reservas de gás natural da Venezuela correspondem a cerca de 73% do total da América do Sul, somando aproximadamente 195 trilhões de pés cúbicos em 2023. A maior parte desse gás está associada à produção de petróleo, sendo gerada como subproduto da extração de óleo, o que faz com que cerca de 80% do gás produzido tenha essa origem.

O problema é que a incapacidade de aproveitar economicamente o gás associado ao petróleo fez da Venezuela um dos maiores países do mundo em queima de gás natural (flaring). Além disso, toda a indústria ficou velha, inclusive os campos de exploração. O segmento de refino, por exemplo, enfrenta dificuldades semelhantes.

Cinco refinarias

A Venezuela possui cinco refinarias com capacidade nominal total de 1,46 milhão de barris por dia, mas opera muito abaixo desse potencial devido à falta de manutenção, má gestão e perda de quadros técnicos qualificados. E em 2023 chegou a operar com cerca de 10% de sua capacidade.

Outra dificuldade que a Aurum Tank chama a atenção e é compartilhada pelas empresas americanas é que a maior parte das reservas de óleo da Venezuela consiste em petróleo extrapesado da Faixa do Orinoco, cuja exploração exige alta capacidade técnica e insumos específicos.

Oleodutos antigos

Para completar, os 25 oleodutos, com capacidade somada de 8.970 mil bpd, a maioria destes com mais de 50 anos de uso, o que eleva riscos ambientais e custos operacionais. Apenas para modernizar os dutos seriam necessários cerca de US$ 8 bilhões.

Esse quadro caótico obrigou a Venezuela a exportar até 70% do petróleo produzido. Com os 30% restantes, que são refinados em território nacional, o país tem um dos mais baixos consumos per capita do mundo.

Nos braços da China

E essa dependência a levou a cair nos braços da China. Atualmente, a China absorve cerca de 430 mil bpd de óleo venezuelano (mais da metade da produção), correspondendo a 80% das exportações de óleo cru da Venezuela. E, naturalmente, o país de Xi Jinping exigiu enormes descontos.

Todo esse quase descrito pela consultoria brasileira cujos clientes têm interesse na Venezuela justifica a resistência dos convidados de Donald Trump. E mesmo que a PDVSA, principal fonte de receitas do Estado, seja reestruturada, serão necessários anos de investimentos na infraestrutura do país.

Perda de autonomia

Sob o governo Maduro, diz José Mauro Coelho, a PDVSA sofreu perda de autonomia, forte carga fiscal, sanções externas e restrições de capital e tecnologia, o que levou a um colapso da produção de petróleo e à subutilização das reservas de gás natural mesmo que venha entregando 60% da arrecadação governamental.

Embora o presidente dos Estados Unidos acredite que pode resolver a crise em poucos meses e devolver à Venezuela o prestígio que teve no passado. Naturalmente, sob a bandeira das gigantes americanas do petróleo.

Líder mundial sem capacidade de explorar

Um estudo da ANP confirma que a Venezuela tem a maior reserva provada de petróleo do mundo com 16,9% do total, embora só produza 1,0% da oferta global, justificado pela crise política e econômica que enfraqueceu sua indústria. Isso quer dizer que um eventual aumento da produção poderia, sim, ampliar a oferta mundial e aliviar preços do barril e do diesel no Brasil, como estima o presidente Donald Trump.

O número da ANP difere do AIE que avalia em 17,5%. Entretanto, o repasse não seria imediato, pois impostos e regras do mercado reduzem esse efeito. Portanto, no cenário atual, com instabilidade interna e demanda global fraca, a chance de novos investimentos para elevar a produção mesmo com as promessas americanas na Venezuela no curto prazo é baixa.

Omoda & Jaecoo

Em 2025, o primeiro de sua operação direta no País, a chinesa OMODA & JAECOO vendeu 7.215 veículos, atingindo 0,4% de market share nacional. O resultado garantiu a 18ª posição no ranking geral e a 14ª colocação no ranking de varejo, além de impulsionar o volume anual.

O desempenho de dezembro, com 1.950 unidades emplacadas, o melhor mês em nove meses de exercício comercial em território nacional, demonstra que a trajetória de crescimento é consistente e em linha com a demanda de consumidores.

Neoenergia Riomar

A Neoenergia Pernambuco está com uma nova loja de atendimento no piso térreo do Shopping RioMar, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. A nova unidade entrou em operação nesta quarta-feira (07), no piso térreo do centro de compras.

Pacote da Luz
Fortaleza fechou um PPP para concessão do parque de iluminação pública que incluiu os serviços de gestão, planejamento, implantação, ampliação, modernização, eficientização, telegestão, operação e manutenção da rede semafórica da capital cearense. O contrato de R$4,09 bilhões e a contratação deve vigorar pelos próximos 15 anos, prorrogáveis pelo mesmo período, foram assinados com a empresa FM Rodrigues.

País de festa

O Brasil assumiu a posição de segundo maior mercado de shows ao vivo do mundo em número de ingressos vendidos, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados da PwC em parceria com o Live Entertainment, o setor de eventos movimenta mais de R$ 300 bilhões por ano no país e responde por cerca de 4,3% do PIB nacional, de acordo com ABEOC e SEBRAE. Um mercado robusto, competitivo e que cresce em complexidade.

Tilápia de Itaipu

No meio do debate sobre a importação de tilápia produzida na China, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, sancionou a lei nº 7.618/2025, que cria o regime de licenciamento ambiental para o cultivo, engorda e comercialização de espécies alóctones ou exóticas que deve viabilizar a produção de tilápia (tilapicultura) no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu. O próximo passo para a liberação do cultivo da tilápia é a revisão do Acordo Bilateral Brasil–Paraguai, de 2002, que proíbe o uso de espécies exóticas no reservatório.

Notas Fiscais

Está no ar o Emissor Nacional de Notas Fiscais, conhecido como Portal Único, instrumento prático da Reforma Tributária que tem como objetivo centralizar e padronizar, em um único ambiente digital, a emissão de documentos fiscais em todo o país, substituindo o atual modelo fragmentado entre estados e municípios.

Com a criação dos novos tributos CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), o Portal Único será a base operacional do novo sistema tributário com a proposta de reduzir a complexidade, aumentar a transparência e diminuir custos operacionais para empresas de todos os portes.
Mas se por um lado ele é um passo decisivo para simplificar o sistema tributário brasileiro. Por outro lado, demanda revisão de processos internos e atualização por parte das empresas, sempre orientadas pela contabilidade.

E isso deve ser percebido pelas pequenas e médias empresas, que historicamente sofrem mais com a burocracia tributária, tendem a ser beneficiadas no médio e longo prazo. No entanto, a fase de transição exige atenção redobrada para evitar falhas na emissão de notas, inconsistências fiscais e problemas de compliance. Portanto, diante desse cenário, a orientação é acompanhar de perto a regulamentação do Emissor Nacional.

Vôos de pets

A Azul divulgou, em 2025, um levantamento sobre o transporte de animais de estimação — cães e gatos — em seus voos, quando acolheu 70,2 mil animais nas cabines das aeronaves da Companhia. O estudo mostrou o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), principal hub da Azul, como líder entre os que mais embarcaram animais de estimação ao longo deste ano, seguido do Recife (PE), Confins (MG), Belém (PA) e Porto Alegre (RS).

Transfer gratuito

A Fenahall mantém o serviço de transfer gratuito durante todos os dias da feira, com trajeto de ida e volta entre o Shopping Tacaruna e o Classic Hall. A edição acontece desta sexta-feira (9) até 18 de janeiro, e o ponto de embarque será um lounge instalado no estacionamento do shopping, próximo à Avenida Agamenon Magalhães, no mesmo local onde funciona o Expresso Folia durante o Carnaval.

Frosty Pernmabuco

A rede cearense de Sorvetes Frosty projeta a inauguração de 60 novas lojas, dentro de um plano de expansão com investimentos de R$ 20 milhões e expectativa de crescimento de 30% no faturamento.

Pernambuco, a segunda maior praça da marca, atrás apenas da sede, no Ceará, deve chegar a 31 unidades distribuídas entre a Região Metropolitana e o interior, com operação na cidade de Caruaru. Os Sorvetes Frosty inauguraram mais de 40 lojas ao longo de 2025, com investimento superior a R$ 10 milhões.

13/01/2026

Quase metade dos municípios do país sofreria impactos no abastecimento de combustíveis sem as distribuidoras regionais, escrevem José Mauro Coelho e Guilherme Mercês

No final de agosto o setor de combustíveis voltou aos holofotes com a deflagração da “Operação Carbono Oculto”, que teve como finalidade desmantelar um esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro nesse importante setor da economia nacional. A ação conduzida pela Receita Federal e órgãos parceiros expôs práticas ilícitas em diferentes elos da cadeia de combustíveis: importação, produção, distribuição e revenda. 

Mas, se há quem atue à margem da lei, há também uma ampla rede de agentes econômicos que operam de forma séria e estruturada, garantindo o abastecimento de milhares de municípios e contribuindo para levar energia para diversas localidades de um país de dimensões continentais, que se destaca como o quarto maior mercado de combustíveis automotivos do mundo. 

Dentre esses agentes de mercado encontram-se as distribuidoras regionais, que atuam em áreas geográficas específicas, o que lhes confere profundo conhecimento das dinâmicas locais, agilidade no atendimento e capacidade de oferecer soluções personalizadas.

Diferentemente das regionais, as grandes distribuidoras possuem cobertura nacional, com presença em diversas regiões, mas podendo não atender de maneira customizada mercados específicos.

Assim, as distribuidoras regionais são fundamentais para a interiorização do abastecimento de combustíveis. Como a produção e a importação de derivados de petróleo se concentram no litoral, cabe às distribuidoras regionais garantir que esses produtos cheguem a todas as regiões do Brasil.

Essas empresas são responsáveis por armazenar, misturar os biocombustíveis aos combustíveis fósseis, nas proporções legalmente exigidas, e entregar a gasolina e o diesel em todo território nacional.

Além de assegurar a conformidade fiscal das cargas movimentadas, as distribuidoras regionais realizam um rigoroso controle de qualidade dos seus produtos, reportando regularmente informações à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a fim de atestar a compatibilidade com todos os parâmetros definidos na regulação.

Dessa forma, garantem uma entrega eficiente e competitiva dos seus produtos, contribuindo para o fornecimento de combustíveis corretamente especificados, de modo a atender as necessidades do consumidor final.

Nesse sentido, as 182 distribuidoras regionais de combustíveis têm ampliado o seu market share ao longo dos últimos anos e, em 2025, já respondem por 44% do mercado brasileiro de combustíveis, atuando como pilares do abastecimento nacional, integrando produção, logística, qualidade e resiliência em situações críticas.

A participação das distribuidoras regionais é também crescente em todas as regiões do país como mostra a tabela abaixo na comparação do ano de 2025 com o ano de 2022.

Região20222025
Norte31%40%
Nordeste37%49%
Centro-Oeste41%56%
Sudeste32%40%
Sul34%42%

Não por acaso, os estados brasileiros com maior participação de mercado das distribuidoras regionais são exatamente aqueles que enfrentam os maiores desafios logísticos.

Nessas localidades, a gestão dos estoques e a movimentação das cargas é complexa, exigindo a combinação de diferentes modais, dutoviário, ferroviário, rodoviário, e aquaviário, para permitir a entrega até mesmo em locais de difícil acesso.

Na região Norte, por exemplo, uma parte relevante do abastecimento dos estados do Pará e do Amazonas é realizada por distribuidores regionais por meio de barcaças que navegam por rios com um regime hídrico quase imprevisível, com meses inteiros sem navegabilidade. 

Hoje, 2.332 municípios (42% das cidades brasileiras) são atendidos exclusivamente por postos de revenda de bandeiras de distribuidoras regionais ou postos “de bandeira branca” (não vinculados a uma marca específica de distribuidora).

Assim, mais de 60% dos postos revendedores de combustíveis líquidos no Brasil são potenciais clientes das distribuidoras regionais, conforme mostra a figura a seguir.

Fonte: elaboração própria

A contribuição dessas empresas vai além do abastecimento de combustíveis. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024 do Ministério do Trabalho e Emprego, as distribuidoras de menor porte e os postos revendedores de bandeiras regionais e de bandeira branca respondem por cerca de 80 mil empregos formais, impulsionando significativamente o desenvolvimento econômico e social nas localidades em que atuam.

Vale lembrar que os combustíveis possibilitam o funcionamento de equipamentos fundamentais à vida humana, além da movimentação de bens e a realização de serviços em todos os setores da economia.

Apesar das margens estreitas, da elevada carga tributária é da regulação rigorosa, as distribuidoras regionais asseguram a oferta de diversos produtos, como o diesel, a gasolina e o etanol, com qualidade, segurança e conformidade até os mais distantes rincões do país.

Elas operam aonde outros agentes não chegam. Atuam com agilidade, flexibilidade operacional e soluções customizadas, promovendo capilaridade no abastecimento nacional de derivados de petróleo. 

Dessa forma, as distribuidoras regionais de combustíveis líquidos constituem um elo vital da segurança energética nacional, sendo a ligação entre a produção e o consumo e atuando como um importante vetor de equilíbrio federativo, promoção da concorrência e equidade energética.

São esses agentes que garantem o direito do consumidor ao abastecimento e o direito dos municípios à continuidade da vida cotidiana. 

Entender o importante papel desempenhado pelas distribuidoras regionais que atuam de acordo com as regras de mercado é, acima de tudo, compreender o funcionamento do Brasil real. 


José Mauro Coelho e Guilherme Mercês são sócios da consultoria especializada em estratégia e regulação para o setor de energia Aurum Tank.

17/10/2025

Equipe Aurum

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Anos de Sucesso
no Mercado de Energia

JOSÉ MAURO FERREIRA COELHO

Presidente da AURUM ENERGIA

  • Presidente da AURUM ENERGIA e Membro do Conselho Consultivo do Brazilian Energy Council (BRENC).
  • Foi Presidente da Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS) e Membro do seu Conselho de Administração. 
  • Foi Presidente do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. (PPSA).
  • Foi Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) e Diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
  •  Graduado em Química Industrial, com Mestrado em Engenharia dos Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e Doutorado em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
  • Possui mais de trinta anos de experiência profissional, atuando nos setores de petróleo, gás natural e biocombustíveis. Atuou também, por vários anos, na área docente de graduação e pós-graduação, com três livros publicados, mais de trinta trabalhos científicos apresentados ou publicados em periódicos ou anais de congressos nacionais e internacionais e mais de cem palestras proferidas nos últimos três anos.
  • Possui como condecorações a Medalha Prêmio Correia Lima concedida pelo Exército Brasileiro; a Moção Honrosa da Câmara Municipal do Rio de Janeiro; o Prêmio RenovaBio: Plano Nacional de Biocombustíveis, concedido pela DATAGRO; o Prêmio 100 Mais Influentes da Energia em 2017, 2018 e 2022, concedido pelo Grupo Mídia, a Medalha Tiradentes, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), a Medalha do Mérito Tamandaré concedida pela Marinha do Brasil, o Título de Cidadania Macaense, o Prêmio dos 100 Mais Influentes da Decáda da Energia em 2021, concedido pelo Grupo Mídia e a Medalha do Jubileu de Brilhante da Vitória, concedida pela Associação dos Ex-Combatentes do Brasil.