Aurum Energia

transformando projetos
em realizações

Identificação de oportunidades de novos investimentos no setor energético nacional e internacional, orientando o posicionamento estratégico do cliente.

Desenvolvimento de novos negócios em energia, com foco na diversificação de ativos e na obtenção dos melhores resultados.

Excelência em estudos e negócios nos setores de petróleo, gás natural, biocombustíveis e energia elétrica.

nossas especializações:

Petróleo e
Gás Natural

Biocombustíveis

Energia Elétrica

DESCOMISSIONAMENTO

José Mauro CoelhoPRESIDENTE E FUNDADOR DA AURUM ENERGIA

Nossas últimas notícias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu na sexta-feira (9) com um grupo de executivos de empresas do setor de energia para debater investimentos na Venezuela e foi direto ao assunto: “Se vocês não quiserem entrar, é só me dizer, porque tenho outras 25 pessoas prontas para ocupar o lugar de vocês.”

Donald Trump tem mesmo. A lista de convidados, obviamente, incluiu os gigantes do setor – muitos deles apoiadores financeiros na última campanha presidencial. E não haveria dificuldades para os assessores dele convidarem outro grupo de empresas de petróleo americanas.

Anos do chavismo

Mas voltar à Venezuela depois da chegada do chavismo ao poder não será simples. Empresas americanas estão listadas em bolsas, devem dar explicações a seus acionistas e precisarão redefinir os seus investimentos no ano fiscal que nos Estados Unidos começa em abril.

E embora sentado à frente de Donald Trump – que falou olhando para ele e seu equivalente da Chevron, o presidente-executivo da ExxonMobil, a maior empresa petrolífera dos EUA, Darren Woods, descartou o país sul-americano como inviável para investimentos se não forem feitas reformas profundas.

Chevron ficou

Ao seu lado, o CEO global da Chevron, Michael Wirth, não se pronunciou, embora todos na sala concordem com as advertências de Woodas. A diferença entre a ExxonMobil – que saiu da Venezuela em 2006 – e a Chevron é que a segunda ficou no país. E nos últimos meses foi quem forneceu as informações para o governo americano sobre o setor naquele país assim que a crise que levou ao sequestro e à prisão de Nicolás Maduro se intensificou.

Mas recuperar a indústria petrolífera venezuelana não será simples, nem barato e, como exigiu o presidente da ExxonMobil, a presidente Delcy Rodrigues terá que praticamente reescrever e aprovar uma nova legislação do setor.

Muito dinheiro

Vai custar muito dinheiro, afirma num relatório para seus clientes o ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que lidera a Aurum Tank, uma consultoria especializada em negócios do setor no Brasil e fora dele, cujos clientes receberam na última sexta-feira (9) quase à mesma hora da reunião de Donald Trump numa sala da Casa Branca um estudo denominado O Setor de Óleo E Gás na Venezuela, assinaod por ele.

Segundo a Aurum Tank, a infraestrutura de petróleo e gás no país é antiga e necessitaria de investimentos de cerca de R$ 308 bilhões para sustentar uma retomada consistente da produção, tanto em dutos quanto em poços e refinarias.

Faixa do Orinoco

E mesmo que o setor de óleo e gás, a Venezuela tenha enorme relevância em termos de reservas — especialmente de petróleo extrapesado na Faixa do Orinoco —, ele apresenta desempenho produtivo extremamente reduzido, resultado da perda de autonomia, forte carga fiscal, sanções externas e restrições de capital e tecnologia. Um quadro que levou a um colapso da produção de petróleo e à subutilização das reservas de gás natural.

Os números da Venezuela surpreendem para o bem e para o mal. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2023, o país tinha as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, estimadas em cerca de 303,8 bilhões de barris, o equivalente a aproximadamente 17,5% das reservas globais.

Reservas de gás

As reservas de gás natural da Venezuela correspondem a cerca de 73% do total da América do Sul, somando aproximadamente 195 trilhões de pés cúbicos em 2023. A maior parte desse gás está associada à produção de petróleo, sendo gerada como subproduto da extração de óleo, o que faz com que cerca de 80% do gás produzido tenha essa origem.

O problema é que a incapacidade de aproveitar economicamente o gás associado ao petróleo fez da Venezuela um dos maiores países do mundo em queima de gás natural (flaring). Além disso, toda a indústria ficou velha, inclusive os campos de exploração. O segmento de refino, por exemplo, enfrenta dificuldades semelhantes.

Cinco refinarias

A Venezuela possui cinco refinarias com capacidade nominal total de 1,46 milhão de barris por dia, mas opera muito abaixo desse potencial devido à falta de manutenção, má gestão e perda de quadros técnicos qualificados. E em 2023 chegou a operar com cerca de 10% de sua capacidade.

Outra dificuldade que a Aurum Tank chama a atenção e é compartilhada pelas empresas americanas é que a maior parte das reservas de óleo da Venezuela consiste em petróleo extrapesado da Faixa do Orinoco, cuja exploração exige alta capacidade técnica e insumos específicos.

Oleodutos antigos

Para completar, os 25 oleodutos, com capacidade somada de 8.970 mil bpd, a maioria destes com mais de 50 anos de uso, o que eleva riscos ambientais e custos operacionais. Apenas para modernizar os dutos seriam necessários cerca de US$ 8 bilhões.

Esse quadro caótico obrigou a Venezuela a exportar até 70% do petróleo produzido. Com os 30% restantes, que são refinados em território nacional, o país tem um dos mais baixos consumos per capita do mundo.

Nos braços da China

E essa dependência a levou a cair nos braços da China. Atualmente, a China absorve cerca de 430 mil bpd de óleo venezuelano (mais da metade da produção), correspondendo a 80% das exportações de óleo cru da Venezuela. E, naturalmente, o país de Xi Jinping exigiu enormes descontos.

Todo esse quase descrito pela consultoria brasileira cujos clientes têm interesse na Venezuela justifica a resistência dos convidados de Donald Trump. E mesmo que a PDVSA, principal fonte de receitas do Estado, seja reestruturada, serão necessários anos de investimentos na infraestrutura do país.

Perda de autonomia

Sob o governo Maduro, diz José Mauro Coelho, a PDVSA sofreu perda de autonomia, forte carga fiscal, sanções externas e restrições de capital e tecnologia, o que levou a um colapso da produção de petróleo e à subutilização das reservas de gás natural mesmo que venha entregando 60% da arrecadação governamental.

Embora o presidente dos Estados Unidos acredite que pode resolver a crise em poucos meses e devolver à Venezuela o prestígio que teve no passado. Naturalmente, sob a bandeira das gigantes americanas do petróleo.

Líder mundial sem capacidade de explorar

Um estudo da ANP confirma que a Venezuela tem a maior reserva provada de petróleo do mundo com 16,9% do total, embora só produza 1,0% da oferta global, justificado pela crise política e econômica que enfraqueceu sua indústria. Isso quer dizer que um eventual aumento da produção poderia, sim, ampliar a oferta mundial e aliviar preços do barril e do diesel no Brasil, como estima o presidente Donald Trump.

O número da ANP difere do AIE que avalia em 17,5%. Entretanto, o repasse não seria imediato, pois impostos e regras do mercado reduzem esse efeito. Portanto, no cenário atual, com instabilidade interna e demanda global fraca, a chance de novos investimentos para elevar a produção mesmo com as promessas americanas na Venezuela no curto prazo é baixa.

Omoda & Jaecoo

Em 2025, o primeiro de sua operação direta no País, a chinesa OMODA & JAECOO vendeu 7.215 veículos, atingindo 0,4% de market share nacional. O resultado garantiu a 18ª posição no ranking geral e a 14ª colocação no ranking de varejo, além de impulsionar o volume anual.

O desempenho de dezembro, com 1.950 unidades emplacadas, o melhor mês em nove meses de exercício comercial em território nacional, demonstra que a trajetória de crescimento é consistente e em linha com a demanda de consumidores.

Neoenergia Riomar

A Neoenergia Pernambuco está com uma nova loja de atendimento no piso térreo do Shopping RioMar, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. A nova unidade entrou em operação nesta quarta-feira (07), no piso térreo do centro de compras.

Pacote da Luz
Fortaleza fechou um PPP para concessão do parque de iluminação pública que incluiu os serviços de gestão, planejamento, implantação, ampliação, modernização, eficientização, telegestão, operação e manutenção da rede semafórica da capital cearense. O contrato de R$4,09 bilhões e a contratação deve vigorar pelos próximos 15 anos, prorrogáveis pelo mesmo período, foram assinados com a empresa FM Rodrigues.

País de festa

O Brasil assumiu a posição de segundo maior mercado de shows ao vivo do mundo em número de ingressos vendidos, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados da PwC em parceria com o Live Entertainment, o setor de eventos movimenta mais de R$ 300 bilhões por ano no país e responde por cerca de 4,3% do PIB nacional, de acordo com ABEOC e SEBRAE. Um mercado robusto, competitivo e que cresce em complexidade.

Tilápia de Itaipu

No meio do debate sobre a importação de tilápia produzida na China, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, sancionou a lei nº 7.618/2025, que cria o regime de licenciamento ambiental para o cultivo, engorda e comercialização de espécies alóctones ou exóticas que deve viabilizar a produção de tilápia (tilapicultura) no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu. O próximo passo para a liberação do cultivo da tilápia é a revisão do Acordo Bilateral Brasil–Paraguai, de 2002, que proíbe o uso de espécies exóticas no reservatório.

Notas Fiscais

Está no ar o Emissor Nacional de Notas Fiscais, conhecido como Portal Único, instrumento prático da Reforma Tributária que tem como objetivo centralizar e padronizar, em um único ambiente digital, a emissão de documentos fiscais em todo o país, substituindo o atual modelo fragmentado entre estados e municípios.

Com a criação dos novos tributos CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), o Portal Único será a base operacional do novo sistema tributário com a proposta de reduzir a complexidade, aumentar a transparência e diminuir custos operacionais para empresas de todos os portes.
Mas se por um lado ele é um passo decisivo para simplificar o sistema tributário brasileiro. Por outro lado, demanda revisão de processos internos e atualização por parte das empresas, sempre orientadas pela contabilidade.

E isso deve ser percebido pelas pequenas e médias empresas, que historicamente sofrem mais com a burocracia tributária, tendem a ser beneficiadas no médio e longo prazo. No entanto, a fase de transição exige atenção redobrada para evitar falhas na emissão de notas, inconsistências fiscais e problemas de compliance. Portanto, diante desse cenário, a orientação é acompanhar de perto a regulamentação do Emissor Nacional.

Vôos de pets

A Azul divulgou, em 2025, um levantamento sobre o transporte de animais de estimação — cães e gatos — em seus voos, quando acolheu 70,2 mil animais nas cabines das aeronaves da Companhia. O estudo mostrou o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), principal hub da Azul, como líder entre os que mais embarcaram animais de estimação ao longo deste ano, seguido do Recife (PE), Confins (MG), Belém (PA) e Porto Alegre (RS).

Transfer gratuito

A Fenahall mantém o serviço de transfer gratuito durante todos os dias da feira, com trajeto de ida e volta entre o Shopping Tacaruna e o Classic Hall. A edição acontece desta sexta-feira (9) até 18 de janeiro, e o ponto de embarque será um lounge instalado no estacionamento do shopping, próximo à Avenida Agamenon Magalhães, no mesmo local onde funciona o Expresso Folia durante o Carnaval.

Frosty Pernmabuco

A rede cearense de Sorvetes Frosty projeta a inauguração de 60 novas lojas, dentro de um plano de expansão com investimentos de R$ 20 milhões e expectativa de crescimento de 30% no faturamento.

Pernambuco, a segunda maior praça da marca, atrás apenas da sede, no Ceará, deve chegar a 31 unidades distribuídas entre a Região Metropolitana e o interior, com operação na cidade de Caruaru. Os Sorvetes Frosty inauguraram mais de 40 lojas ao longo de 2025, com investimento superior a R$ 10 milhões.

13/01/2026

Quase metade dos municípios do país sofreria impactos no abastecimento de combustíveis sem as distribuidoras regionais, escrevem José Mauro Coelho e Guilherme Mercês

No final de agosto o setor de combustíveis voltou aos holofotes com a deflagração da “Operação Carbono Oculto”, que teve como finalidade desmantelar um esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro nesse importante setor da economia nacional. A ação conduzida pela Receita Federal e órgãos parceiros expôs práticas ilícitas em diferentes elos da cadeia de combustíveis: importação, produção, distribuição e revenda. 

Mas, se há quem atue à margem da lei, há também uma ampla rede de agentes econômicos que operam de forma séria e estruturada, garantindo o abastecimento de milhares de municípios e contribuindo para levar energia para diversas localidades de um país de dimensões continentais, que se destaca como o quarto maior mercado de combustíveis automotivos do mundo. 

Dentre esses agentes de mercado encontram-se as distribuidoras regionais, que atuam em áreas geográficas específicas, o que lhes confere profundo conhecimento das dinâmicas locais, agilidade no atendimento e capacidade de oferecer soluções personalizadas.

Diferentemente das regionais, as grandes distribuidoras possuem cobertura nacional, com presença em diversas regiões, mas podendo não atender de maneira customizada mercados específicos.

Assim, as distribuidoras regionais são fundamentais para a interiorização do abastecimento de combustíveis. Como a produção e a importação de derivados de petróleo se concentram no litoral, cabe às distribuidoras regionais garantir que esses produtos cheguem a todas as regiões do Brasil.

Essas empresas são responsáveis por armazenar, misturar os biocombustíveis aos combustíveis fósseis, nas proporções legalmente exigidas, e entregar a gasolina e o diesel em todo território nacional.

Além de assegurar a conformidade fiscal das cargas movimentadas, as distribuidoras regionais realizam um rigoroso controle de qualidade dos seus produtos, reportando regularmente informações à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a fim de atestar a compatibilidade com todos os parâmetros definidos na regulação.

Dessa forma, garantem uma entrega eficiente e competitiva dos seus produtos, contribuindo para o fornecimento de combustíveis corretamente especificados, de modo a atender as necessidades do consumidor final.

Nesse sentido, as 182 distribuidoras regionais de combustíveis têm ampliado o seu market share ao longo dos últimos anos e, em 2025, já respondem por 44% do mercado brasileiro de combustíveis, atuando como pilares do abastecimento nacional, integrando produção, logística, qualidade e resiliência em situações críticas.

A participação das distribuidoras regionais é também crescente em todas as regiões do país como mostra a tabela abaixo na comparação do ano de 2025 com o ano de 2022.

Região20222025
Norte31%40%
Nordeste37%49%
Centro-Oeste41%56%
Sudeste32%40%
Sul34%42%

Não por acaso, os estados brasileiros com maior participação de mercado das distribuidoras regionais são exatamente aqueles que enfrentam os maiores desafios logísticos.

Nessas localidades, a gestão dos estoques e a movimentação das cargas é complexa, exigindo a combinação de diferentes modais, dutoviário, ferroviário, rodoviário, e aquaviário, para permitir a entrega até mesmo em locais de difícil acesso.

Na região Norte, por exemplo, uma parte relevante do abastecimento dos estados do Pará e do Amazonas é realizada por distribuidores regionais por meio de barcaças que navegam por rios com um regime hídrico quase imprevisível, com meses inteiros sem navegabilidade. 

Hoje, 2.332 municípios (42% das cidades brasileiras) são atendidos exclusivamente por postos de revenda de bandeiras de distribuidoras regionais ou postos “de bandeira branca” (não vinculados a uma marca específica de distribuidora).

Assim, mais de 60% dos postos revendedores de combustíveis líquidos no Brasil são potenciais clientes das distribuidoras regionais, conforme mostra a figura a seguir.

Fonte: elaboração própria

A contribuição dessas empresas vai além do abastecimento de combustíveis. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024 do Ministério do Trabalho e Emprego, as distribuidoras de menor porte e os postos revendedores de bandeiras regionais e de bandeira branca respondem por cerca de 80 mil empregos formais, impulsionando significativamente o desenvolvimento econômico e social nas localidades em que atuam.

Vale lembrar que os combustíveis possibilitam o funcionamento de equipamentos fundamentais à vida humana, além da movimentação de bens e a realização de serviços em todos os setores da economia.

Apesar das margens estreitas, da elevada carga tributária é da regulação rigorosa, as distribuidoras regionais asseguram a oferta de diversos produtos, como o diesel, a gasolina e o etanol, com qualidade, segurança e conformidade até os mais distantes rincões do país.

Elas operam aonde outros agentes não chegam. Atuam com agilidade, flexibilidade operacional e soluções customizadas, promovendo capilaridade no abastecimento nacional de derivados de petróleo. 

Dessa forma, as distribuidoras regionais de combustíveis líquidos constituem um elo vital da segurança energética nacional, sendo a ligação entre a produção e o consumo e atuando como um importante vetor de equilíbrio federativo, promoção da concorrência e equidade energética.

São esses agentes que garantem o direito do consumidor ao abastecimento e o direito dos municípios à continuidade da vida cotidiana. 

Entender o importante papel desempenhado pelas distribuidoras regionais que atuam de acordo com as regras de mercado é, acima de tudo, compreender o funcionamento do Brasil real. 


José Mauro Coelho e Guilherme Mercês são sócios da consultoria especializada em estratégia e regulação para o setor de energia Aurum Tank.

17/10/2025

Preços livres e regulação asseguram abastecimento, eficiência e proteção ao consumidor, escrevem José Mauro Coelho e Guilherme Mercês

A cadeia de abastecimento de combustíveis no Brasil é extensa, regulada e estratégica. Ela começa na produção (refino e importação) e vai até a revenda ao consumidor final, envolvendo mais de 100 mil agentes, entre produtores, operadores logísticos, distribuidores e postos revendedores. 

No caso do gás liquefeito de petróleo — GLP (o gás de cozinha), gasolina e diesel, o país combina produção interna e importações, o que torna o setor sensível à volatilidade dos preços internacionais e à variação cambial.

O país produz cerca de 130 milhões de m3/ano de derivados e importa mais 34 milhões de m3 para atender à demanda interna dos refinados (GLP, gasolina, diesel e outros produtos).

Após o refino e a importação, os derivados são entregues às distribuidoras, que fazem o seu envasamento (no caso do GLP), adicionam biocombustíveis (etanol anidro na gasolina e biodiesel no diesel), garantem a qualidade, a segurança e movimentam as cargas para mais de 8,5 milhões de km2 de território.

A operação exige logística multimodal: dutoviária, ferroviária, rodoviária e aquaviária, incluindo o transporte por barcaças na Região Amazônica. 

Mesmo sem refinarias no interior do Brasil, as distribuidoras mantêm capilaridade nacional, operando 475 bases logísticas e firmando milhares de contratos com revendedores. Cabe ressaltar que durante a pandemia de covid-19, essa estrutura assegurou o abastecimento contínuo em todas as regiões do país.

Mais de 100 mil agentes no mercado brasileiro de combustíveis

As distribuidoras são o elo entre a produção e o consumo.

São responsáveis por misturar, especificar e entregar o combustível aos postos revendedores em todo território nacional, além de assegurar qualidade, segurança, rastreabilidade e conformidade regulatória e fiscal perante a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Receita Federal. 

Interface gráfica do usuário

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Trata-se de uma operação de alta complexidade, que exige investimentos constantes em tecnologia, controle e infraestrutura. No Brasil, o transporte de combustíveis ainda é feito majoritariamente por rodovias, o que encarece a operação. 

Todos estes custos operacionais compõe a chamada “margem bruta” da distribuição, que não representa o lucro líquido, mas sim o valor adicionado por serviços essenciais, como armazenagem, seguros, logística, tributos e controle regulatório, entre outros.

Tomando como exemplo o diesel comercializado no Brasil, para cada R$ 100 pagos pelo consumidor, cerca de R$ 46 são da etapa de produção, R$ 13 do biodiesel, R$ 24 são tributos (federais e estaduais) e os R$ 17 restantes referem-se às margens brutas de distribuição e revenda. Intervenções indevidas nesse sistema geram desequilíbrios importantes. 

Importante notar que desde 2002, com o advento da Lei do Petróleo (9.478/1997), os preços no Brasil são livres e definidos pelos agentes econômicos em todas as etapas da comercialização de combustíveis: produção, distribuição e revenda.

Isso significa que não há qualquer tipo de tabelamento, nem fixação de valores máximos e mínimos, ou qualquer exigência de autorização oficial prévia para reajustes.

A prática de preços de mercado também coaduna com a Lei da Liberdade Econômica (nº 13.874/2019), cabendo à ANP fiscalizar e, se necessário, acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para coibir abusos.

Mas é a concorrência, e não a intervenção, que assegura preços justos, inovação e eficiência.

Assim, as distribuidoras não são vilãs, são pilares da segurança energética. Defender a liberdade de preços com regulação firme é defender o interesse público, o consumidor e o abastecimento de combustíveis no país.

Este artigo expressa exclusivamente a posição dos autores e não necessariamente da instituição para a qual trabalham ou estão vinculados.

06/10/2025

Equipe Aurum

0
Anos de Sucesso
no Mercado de Energia

JOSÉ MAURO FERREIRA COELHO

Presidente da AURUM ENERGIA

  • Presidente da AURUM ENERGIA e Membro do Conselho Consultivo do Brazilian Energy Council (BRENC).
  • Foi Presidente da Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS) e Membro do seu Conselho de Administração. 
  • Foi Presidente do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. (PPSA).
  • Foi Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) e Diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
  •  Graduado em Química Industrial, com Mestrado em Engenharia dos Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e Doutorado em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
  • Possui mais de trinta anos de experiência profissional, atuando nos setores de petróleo, gás natural e biocombustíveis. Atuou também, por vários anos, na área docente de graduação e pós-graduação, com três livros publicados, mais de trinta trabalhos científicos apresentados ou publicados em periódicos ou anais de congressos nacionais e internacionais e mais de cem palestras proferidas nos últimos três anos.
  • Possui como condecorações a Medalha Prêmio Correia Lima concedida pelo Exército Brasileiro; a Moção Honrosa da Câmara Municipal do Rio de Janeiro; o Prêmio RenovaBio: Plano Nacional de Biocombustíveis, concedido pela DATAGRO; o Prêmio 100 Mais Influentes da Energia em 2017, 2018 e 2022, concedido pelo Grupo Mídia, a Medalha Tiradentes, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), a Medalha do Mérito Tamandaré concedida pela Marinha do Brasil, o Título de Cidadania Macaense, o Prêmio dos 100 Mais Influentes da Decáda da Energia em 2021, concedido pelo Grupo Mídia e a Medalha do Jubileu de Brilhante da Vitória, concedida pela Associação dos Ex-Combatentes do Brasil.